RUA – Resiliência Urbana em Ação:
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climáticos extremos

Resiliência Climática: a era dos dados abertos

Por Camila Aparecida Borges
Advogada. Professora universitária no curso de Direito da Universidade Nove de Julho – UNINOVE. Bacharel de Direito. Mestre em Direito pela Universidade Nove de Julho, com adesão a linha de pesquisa Empresa, sustentabilidade e funcionalização do Direito. Atualmente pesquisadora e Doutoranda em Cidades Inteligentes e Sustentáveis (PPGCIS) pela Universidade Nove de Julho.
17 de maio de 2026.

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Imagem gerada por IA com prompt criado pela autora.

Diante do aumento na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, o conceito de infraestrutura urbana precisou evoluir. Hoje, o foco não está apenas na reestruturação, a verdadeira resiliência climática é construída antes que o desastre ocorra, e o alicerce dessa preparação é o acesso qualificado à informação (IPCC, 2023).

Alinhado a essa necessidade, o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (ODS 13) estabelece a urgência de medidas globais para combater as mudanças climáticas e seus impactos. Especificamente, a meta 13.1 orienta o fortalecimento da resiliência e da capacidade de adaptação a riscos relacionados ao clima em todos os países.

Segundo o Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres, a base de toda ação eficiente reside na compreensão da dinâmica dos riscos (ONU, 2015). Uma vez que a governança depende da precisão dos dados colhidos, a substituição de intervenções emergenciais por um planejamento preventivo exige que o sistema seja alimentado por dados climáticos cientificamente validados.

O compartilhamento de dados do clima permite que a gestão pública, a academia e a sociedade civil atuem de forma coordenada. Quando as bases de dados são acessíveis e transparentes, torna-se possível modelar cenários, planejar políticas públicas baseadas em evidências (Open Knowledge Foundation, s.f.) e, o mais importante, estruturar sistemas de alerta antecipado que salvam vidas.

Dentro da complexa rede de sensores, os radares meteorológicos destacam-se como instrumentos indispensáveis para a gestão do risco de inundações, especialmente em áreas densamente urbanizadas.

No contexto brasileiro, como exemplo de boas práticas, uma referência de destaque na conversão de dados meteorológicos em ações de proteção civil é o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden, 2025). A instituição atua na linha de frente da resiliência climática operacional ao cruzar indicadores de vulnerabilidade social com o monitoramento ambiental contínuo para a emissão de alertas de inundações e deslizamentos. Para subsidiar a tomada de decisão em tempo real, o centro disponibiliza uma infraestrutura digital que integra mapas interativos e painéis de risco vigentes, otimizando a comunicação do perigo hidrometeorológico.

Embora a atuação do Cemaden represente um avanço significativo, a consolidação da resiliência urbana depende da disseminação de novos programas de boas práticas que alcancem diferentes escalas locais. O grande desafio atual, portanto, não reside apenas na geração dos dados pelos centros de pesquisa, mas como transferir essa informação de maneira clara e acessível à população. Para que tais instrumentos atinjam seu potencial máximo, a governança de dados hidrometeorológicos deve ser orientada por diretrizes integradas e regulações de compartilhamento que garantam que a defesa civil, os tomadores de decisão e a academia falem a mesma língua.

Em suma, a verdadeira resiliência climática urbana não se limita à aquisição de tecnologias de ponta, mas reside na capacidade de democratizar o acesso a essas ferramentas. A transição para a era dos dados abertos exige uma estrutura de governança que traduza a complexidade técnica em ações comunitárias tangíveis e coordenadas. Somente quando a informação científica fluir de forma transparente entre o Estado, a academia e o cidadão, será possível transformar o monitoramento em prevenção efetiva, garantindo cidades mais seguras e preparadas para as inevitáveis transformações do clima global.

Referências

Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. (s.f.). Sobre o Cemaden. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. https://www.gov.br/cemaden

Intergovernmental Panel on Climate Change. (2023). Climate change 2023: The physical science basis. Cambridge University Press. https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg1/

Open Knowledge Foundation. (s.f.). O que são dados abertos? Open Data Handbook. https://opendatahandbook.org/

Organização das Nações Unidas. (2015). Marco de Sendai para a redução do risco de desastres 2015–2030. Nações Unidas. https://www.undrr.org/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030

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